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  • Joana C.

Um tema tabu - Suicídio

Atualizado: Set 24


O que são tabus? No dicionário encontramos a definição de tabu, como algo proibido, que não pode ser tocado. Vários são os temas que podemos chamar de tabus, entre eles a sexualidade e a morte. Mas me parece que mais do que esses dois, o suicídio encontra lugar de destaque, entre os temas tabus. E será possível encontrar uma resposta para isso? Entendo que as respostas podem ser muitas e variar conforme a sociedade, a cultura. Se considerarmos que a morte é um tabu, inflingir a morte a si mesmo, acrescenta um grau de censura ainda maior ao tema.


Algumas obras literárias em que o tema é abordado, como Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, chegaram a ser acusadas do aumento de número de suicídios, no que ficou conhecido como efeito Werther. Uma espécie de contágio, que também pode ser observado quando personagens famosos cometem o suicídio, e esse fato se torna público. É claro que isso só acontece, se a pessoa já se encontra em um estado de vulnerabilidade, não podendo, portanto, ser apontado como único fator.


O suicídio é multifatorial, não há um único perfil ou causa, e é um tema delicado em qualquer contexto em que ele seja objeto de pesquisa. Além de necessitar ser pensado, no um a um da singularidade de cada sujeito, e de sua história. Penso que na mídia em geral, seja necessário um extremo cuidado ao tratar sobre o tema, mas manter o suicídio como tabu em outros espaços, serve somente para dificultar ainda mais, a busca por ajuda.


Desde 2014, setembro foi eleito o mês de prevenção ao suicídio, um mês para falar, discutir, e aprender a acolher, esse que é um dos maiores tabus da nossa sociedade. Até

porque sofrimento, desesperança e dor não desaparecem quando empurrados para baixo do tapete. Falar é um passo importante para nomear a dor e talvez ressignificar o

sentimento.


As pessoas acabam não conversando sobre o assunto, e nesse evitar tocar no assunto, não permitem que o outro fale sobre a angústia, a dor que está ali, e ninguém está disposto a escutar. Esse silêncio com a dor do outro, pode fazer com que ele entre tanto na dor, que não encontre saída de jeito nenhum, que não seja a morte.


No âmbito dos consultórios psiquiátricos, psicológicos e psicanalíticos é imprescindível dar voz ao assunto quando ele se insinua, mesmo que em forma de fantasia. A saúde psíquica permite falar sobre o tema, permite não o evitar. Então se o paciente consegue falar, temos indícios de saúde psíquica. Roosevelt M.S. Cassorla possui duas obras importantes sobre o tema: Suicídio - fatores inconscientes e aspectos socioculturais: uma introdução, e Estudos sobre suicídio: psicanálise e saúde mental.


No primeiro livro o autor traz estatísticas e relatos sobre o tema, abordando as fantasias sobre o suicídio, o significado da morte para o suicida, as relações com o luto e a depressão, entre outros temas. O segundo livro, Estudos sobre suicídio, tem mais interlocução com a psicanálise, abordando as fantasias inconscientes, a compreensão nas estruturas borderline e narcísicas, e aspectos técnicos sobre o atendimento desses

pacientes.


É um tema importante, amplo e complexo, mas que precisa deixar de ser tabu, para que possamos cada vez mais fazer frente a ele.


Andréa B. C. Mongeló – Psicanalista da Sigmund Freud Associação Psicanalítica



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