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  • Joana C.

Por que Silvia Bleichmar?

Atualizado: Abr 17


Parafraseando o título de uma coleção, poderia lançar a questão: Por que ler Silvia Bleichmar? E as respostas seriam muitas.


Silvia Bleichmar nasceu em Bahía Blanca, Argentina, em 13 de setembro de 1944, e ao finalizar seus estudos secundários mudou-se com sua família para a capital Buenos Aires, onde estou Sociologia e logo depois Psicologia. Nos turbulentos aos 60, ela teve uma participação ativa no movimento estudantil na Universidade de Buenos Aires.


Em 1976 com o golpe de Estado, exilou-se no México. Sua saída da Argentina resultou em uma ampliação do seu pensamento e, a partir daí, um doutorado em Psicanálise na Universidade de Paris VII, orientada por Jean Laplanche. No México, ela já tinha iniciado seus estudos sobre as origens do sujeito psíquico, que se tornariam então sua tese de doutorado, com o título Reflexões sobre a constituição do sujeito psíquico à luz da psicanálise de crianças. A banca de examinadores foi composta por Fédida, Jean Luis Lang e Laplanche, que a saudou por sua nota e também, pela nova fase da democracia que se iniciava na Argentina, naquele anos de 1983.


Ainda no México em 1985, assume projetos do UNICEF, de assistência a vítimas do terremoto, e também em cursos para estudantes e profissionais da saúde, sobre a questão da traumático, e de como uma catástrofe natural opera no psiquismo.

Dessa experiência resultou um livro póstumo, lançado em 2010 chamado Psicoanálisis extramuros – Puesta a prueba frente a lo traumático.


De volta ao seu país de origem em 1986 passa a dar aulas em universidades nacionais e também de fora do país, entre eles o Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo.


Um das principais respostas do porquê ler Silvia Bleichmar hoje, é que para ela, a clínica é o lugar onde os limites das teorias, são questionados e os casos clínicos nos obrigam a repensar e a reformular conceitos. E isso é de suma importância para ampliação da prática psicanalítica diante dos desafios da clínica atual. E é dessa ideia que ela parte em seus livros, e eles são muitos: La fundación de lo inconsciente(1998), En los orígenes del sujeto psíquico: del mito a historia(1999), Paradojas de la sexualidad masculina(2006), entre outros, além do citado anteriormente no texto.


Clínica Psicanalítica e Neogêse – única edição em português autorizada pela autora - reúne vários seminários ministrados por ela em Buenos Aires. O formato do livro com a apresentação dos seminários transcritos na forma original da fala, com as perguntas e observações dos interlocutores, faz com que nos sintamos escutando Silvia Bleichmar “ao vivo”. Tudo isso também faz parte da resposta à pergunta feita inicialmente. A forma como a autora transmite a psicanálise, torna a leitura muito fluida apesar da densidade dos temas e conceitos trabalhados. Vemos como ela formula com clareza, a originalidade de seu pensamento sobre o conceito metapsicológico de recalque primário, retirando-o do lugar de um tempo original, da estruturação do aparelho psíquico, para considerá-lo em sua dimensão clínica durante a sessão analítica. Assim como, o conceito de Neogênese, como um movimento que na clínica não fica limitado apenas a recuperar o já existente, mas sim como uma tentativa de criar novas possibilidades de simbolizações e abrir novas perspectivas de vida. “Ouvi-la” nessa obra, e colocá-la para trabalhar posteriormente na clínica, mantendo seu legado valoroso é um dos tantos motivos para ler Silvia Bleichmar.


Andréa Mongeló - Psicanalista












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