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  • Foto do escritorJoana C.

PINÓQUIO de Guillermo Del Toro

Você já conhece nosso novo espaço de escrita aqui no blog? Esta sessão falou sobre um livro no mês passado, e agora, estamos com uma nova Costura que faz análise de um belíssimo filme. você já olhou? O livro, tenho certeza que sim! Mas o que será que podemos encontrar no filme?


Eu quero te contar uma história. Você pode até achar que já conhece, mas não

conhece: a estória do menino de madeira”.


A releitura de um clássico pode trazer acréscimos à obra original, que a deixem

ainda melhor? No caso da animação Pinóquio foi exatamente o que aconteceu. E o Oscar que recebeu no mês passado é uma das provas disso. Em uma obra que levou em torno de 14 anos para ser finalizada, já que foi realizada pela delicada técnica de stopmotion, o resultado é incrível.

A estória guarda muitos dos seus aspectos originais, mas é enriquecida e explorada

com temas atuais.

Tendo como pano de fundo a Itália fascista de Mussolini, aborda questões que

envolvem política, patriotismo e religião. Mas é, ao abordar temas que estão presentes no clássico original, que a animação mostra toda a sua atemporalidade e beleza.

O valor dos laços familiares, e como eles são falhos e difíceis, a fragilidade da vida e

o papel da morte, a transitoriedade e o luto, a alteridade e a aceitação das diferenças, são temas explorados em muitas camadas. Mas a transitoriedade e o luto, são ao meu ver os temas centrais na estória, já que Pinóquio é o boneco construído por Gepeto, para “substituir” o filho perdido.

Uma frase dita por um dos personagens: O que faz da vida humana preciosa e

significativa é a sua brevidade, parece ter sido retirada do belíssimo texto de Freud, Sobre a transitoriedade de 1916. Esse texto tem como inspiração uma conversa com um jovem poeta, em um passeio por um jardim, onde esse comunicava a Freud sobre sua tristeza pela constatação de que toda aquela beleza natural que eles observavam, e tantas outras, estavam fadadas à extinção. Indicando o quanto a transitoriedade pode provocar reações que são indícios de um desejo de imortalidade. E a reação diante da constatação do fato de que somos mortais, pode levar a uma reação antecipatória do luto, que impede que estraga o desfrute da alegria, beleza e satisfação, segundo Freud. Por trás do desalento se encontra o desejo da eternidade, de que tudo que é belo, tudo que amamos, seja eterno e supere o tempo.


E é isso que vemos no filme, através da criação do boneco de madeira e através

das escolhas feitas pelos personagens: o desejo da imortalidade como recurso fantasioso para que o amor persista, e como um artifício para lidar com a transitoriedade. No entanto, Freud aponta: ... o valor de toda beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para a nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta. Nos indicando o caminho oposto: podemos atribuir valor àquele objeto, pessoa ou vivência justamente por sua brevidade. E o filme nos permite acompanhar como os personagens vão lidando com tudo isso. E como o trabalho de luto torna possível amar a vida, apesar da presença da destruição, da perda e da morte.


Então você pode até achar que conhece a estória, mas a perspectiva de Guillermo

Del Toro é primorosa e tocante. É um filme para crianças? Pode ser! Mas adultos vão se

deleitar e se emocionar com a narrativa.


Andréa B. Caldeira Mongeló

Psicanalista Sigmund Freud Associação psicanalítica



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