• Joana C.

Mulheres na e (da) psicanálise

Sabina Spielrein - Uma mulher entre as mulheres na psicanálise


As mulheres estão presentes na história da psicanálise desde suas origens, em diferentes lugares. Freud iniciou a construção de sua teoria, ao escutar as mulheres histéricas no início do século XIV, e a partir daí, elas buscaram um lugar de maior protagonismo, além do lugar ocupado por elas como pacientes e mulheres dos analistas naquela época.

Elisabeth Roudinesco, na biografia Sigmund Freud, na sua época e no nosso tempo, escreve sobre o crescimento das mulheres dentro do movimento psicanalítico, a partir de 1920, na busca de um lugar como psicanalistas. Isso se dá em consonância com o movimento da época, da mulher na sociedade como um todo, encontrando outros papéis, para além do casamento e da maternidade.

Na psicanálise esse lugar inicialmente, foi na análise de crianças.

Duas delas se destacaram nesse início: Anna Freud e Melanie Klein. A primeira, com um viés um tanto pedagógico, desenvolveu um trabalho de educação de crianças por meio da psicanálise. Já Melanie Klein se afasta dessa ideia, colocando seu foco nos processos inconscientes que podiam ser identificados nos primeiros meses de vida das crianças.

Outra dessas primeiras mulheres psicanalistas do mundo, vem sendo recuperada do esquecimento, e sua história e contribuições podem ser encontradas em dois volumes intitulados Sabina Spielrein, uma pioneira da psicanálise. Renata Udler Cromberg nos conta sobre Sabina, a primeira paciente de psicanálise de Jung, e como ela se torna psicanalista freudiana. Sua importância reaparece através de estudos dos anos de 1980. Mesmo ela não tendo criado uma escola de psicanálise com suas teorias, seus artigos falam de ideias pioneiras e visionárias. Até então, se podia encontrar apenas uma nota na obra de Freud, no texto do Além do princípio do prazer (1920) em que ele cita a ideia de Sabina sobre o componente sádico da pulsão sexual, que ele ainda não compreendia. E com essa nota coloca-a como uma pioneira na ideia da destrutividade e da pulsão de morte.

Na obra de Renata Cromberg, composta de dois volumes, é possível perceber que Sabina não teve lugar somente por sua relação com Jung, que é retratada em dois filmes – Um método perigoso e Jornada da Alma, mas é uma personagem conceitual da história do pensamento psicanalítico.


Andréa B. C. Mongeló – psicanalista membro da Sigmund Freud associação psicanalítica(SIG)


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