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  • Joana C.

Histórias recobridoras

Quando o vivido não se transforma em experiência – Tatiana Inglez-Mazzarella


“A história que podemos contar e contar-nos acerca de nossa existência é tecida com fios de diversas espessuras, cores e resistências”.


O livro de Tatiana Inglez-Mazzarella traz um tema específico, mas não menos importante para a clínica psicanalítica: se contar e recontar sua própria história em análise é um processo de constituir-se como sujeito, por que algumas histórias não cumprem esse destino? Ao contrário disso tornam-se impedimentos à singularização do sujeito?

A autora aponta o efeito elaborativo das histórias, quando o analisante pode ligar a dor àquilo que viveram e, portanto, apropriar-se dessa história e diante dela posicionar-se como sujeito. Essa é a travessia de um processo de análise. Até aqui portanto, nenhuma novidade. Mas e quando as narrativas se repetem, sem que esse trâmite seja possível?

Revisando o conceito freudiano de Lembranças encobridoras, ela diferencia os conceitos de encobridora e recobridora, assim como os conceitos de recalque (verdrangung) e recusa (verleugnung) para construir seu conceito: o de histórias recobridoras. Histórias que tamponam o conteúdo traumático e com isso impossibilitam as desconstruções e reconstruções do paciente. O sujeito permanece atrelado a um passado que não termina de ser vivido no presente.

Através de um material clínico é possível acompanhar os efeitos das histórias recobridoras, na vida de uma paciente, e em sua análise, confirmando a importância do conceito introduzido pela autora.


Andréa Mongeló – Psicanalista da Sigmund Freud Associação Psicanalítica



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