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  • Joana C.

Freud e a psicanálise afetiva do século XXI

A clínica contemporânea nos coloca desafios cada vez maiores, ao nos apresentar novas formas de padecimentos psíquicos. O que desafia profissionais “psi” a buscar cada vez mais ampliar seus conhecimentos e refletir sobre suas teorias.

Partindo do texto Análise Terminável e Interminável de 1937, escrito por Freud já no final de sua obra, o psicanalista Victor Manoel Andrade, reúne em um livro, textos produzidos por ele em momentos distintos da data de aniversário da obra. Publicou três artigos quando esta comemorava 40, 50 e 60 anos. E em 2017, quando completaram 80 anos do texto, ele novamente se dedicou a escrever, mas desta vez, no projeto de um livro, onde reúne os 4 escritos, contextualizando a obra em uma perspectiva temporal.

Freud em Análise terminável e interminável (1937), um dos seus últimos sobre técnica, parece pessimista quanto aos alcances da psicanálise como forma de terapia. Mas, se mostra disposto a examinar as barreiras que percebe, e a deixar em aberto a questão do término ou não da análise.

Afirma que a análise deve evoluir de objetivos de supressão de sintomas, para a ampliação dos domínios do ego, sobre as áreas então ocupadas pelo id. Com isso, o ego estará em melhores condições para enfrentar as exigências pulsionais e as vicissitudes da vida.

E o que Victor Manoel de Andrade propõem em seu livro?

O título Freud e a Psicanálise afetiva do século XXI, pode causar já alguma estranheza, afinal o que seria psicanálise afetiva? O autor trata de esclarecer, que não está tomando o termo afetivo na sua acepção comum, de carinhoso, amoroso. E sim, da metapsicologia, com os afetos podendo ser de natureza prazerosa ou desprazerosa, resultado da satisfação ou frustração das necessidades do bebê. A obra percorre um trajeto metapsicológico, que inicia antes do Projeto e vai até o texto de 1937.

O subtítulo parece traduzir melhor o que o autor apresenta em pouco mais de 200 páginas: Análise Terminável e Interminável 80 anos depois. Aponta o que é possível ampliar e até mesmo acrescentar para o trabalho na clínica psicanalítica atual, que se vê cada vez mais desafiada por pacientes com falhas estruturais no psiquismo. Sendo então necessário, um trabalho que não se dá pela interpretação da libido reprimida.

Para o autor, com esses pacientes a função materna será exercida potencialmente pelo analista, num estágio em que a fala, ainda não viabiliza a transformação da representação coisa em representação palavra. Os afetos deslizam entre as representações sem ligar-se a elas. Para ele os silêncios e a capacidade empática do analista, podem ter mais efeito nesses pacientes, do que as interpretações.

Com uma clínica que nos desafia cada vez mais em relação aos alcances da psicanálise, essa obra traz significativas propostas feitos pelo autor, um grande estudioso da metapsicologia freudiana.

Andréa B C Mongeló – Psicanalista membro efetivo da Sigmund Freud Associação Psicanalítica




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