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  • Joana C.

Envelhecimento

Hoje dia 15 de junho é o dia mundial de combate a violência contra a pessoa idosa. E a psicanalista Andrea Mongeló nos deixa uma resenha sobre obras relacionadas ao envelhecimento. Uma temática que segundo Andrea é recente para a psicologia e a psicanálise. Confiram!


Para a medicina o envelhecimento é o processo de desgaste do corpo, depois de atingida a vida adulta. Mas, para além disso, é também um processo que envolve a maneira como o idoso se vê e se percebe, e a maneira como é visto e percebido pelos outros. E esse interjogo de visões, vai formar várias definições de velhice e não somente uma. Por isso, talvez seja possível afirmar que não existe "a velhice", mas velhices. Todas essas construções conceituais são uma área um tanto recente da psicologia e da psicanálise.


A obra A arte de envelhecer, oferece um panorama amplo sobre o envelhecimento, que vai interessar profissionais e interessados de todas as áreas. Ele é uma produção do Centro de Ciências Sociais da UERJ, e aborda tópicos que vão desde o envelhecimento na pós-modernidade, em que tudo é visto como descartável, e os efeitos nesse período da vida. Passando por temas como o desafio dos profissionais que trabalham com esse público, que demanda uma interdisciplinaridade já que o processo de envelhecimento permeia todos os aspectos da vida do biológico ao social, exigindo então, um trabalho em equipe.


Em Psicologia do envelhecimento, da editora portuguesa Climepsi, temos uma obra dedicada exclusivamente as questões dos processos psicológicos envolvidos nesse período da vida. O livro possui dez capítulos que podem ser lidos sem seguir a ordem de apresentação. O primeiro capítulo aborda as causas endógenas e exógenas do envelhecimento, de forma mais geral, sendo que o sistema nervoso e suas particularidades recebe um capítulo à parte. As correntes teóricas do envelhecimento são apresentadas no terceiro capítulo. As questões da memória também recebem um capítulo único, já que se trata essa de uma das queixas mais recorrentes nessa etapa da vida. As mudanças na maneira de ser e se representar no mundo, assim como o que seria uma velhice bem-sucedida são apresentadas nos dois capítulos seguintes. Os dois últimos destinam-se aos temas mais densos como a depressão, o Alzheimer, a morte e o luto. Uma obra interessante, que apesar do estranhamento inicial de ler em português de Portugal, nos mostra as contribuições de países que vem lidando com essa realidade há mais tempo.


E para quem se interessa por psicanálise, O sujeito não envelhece de Ângela Mucida, traz questionamentos e construções muito valiosas para o tema, em uma escrita clara e fluida. A partir de um referencial freudo-lacaniano, a autora põe em jogo questões como o quanto envelhecer em uma sociedade que tem como imperativo o novo, gera mal-estar e, portanto, sofrimento. A questão do desamparo e do narcisismo, a partir do encontro com o real do corpo na velhice, são profundamente trabalhados pela autora. Temas como a sexualidade, a morte e o luto também encontram espaço na obra. O último capítulo trata da clínica com idosos, e traz para o debate questões como a atemporalidade do inconsciente e o sintoma como sinalizador da atualidade do passado, e os efeitos disso na clínica com esses sujeitos. A autora tem outros dois livros sobre o tema Escrita de uma memória que não se apaga (Autêntica) e Atendimento psicanalítico do idoso (Zagodoni) que a julgar por esse, me parecem valer uma exploração.


Andréa Mongeló – Psicanalista na Sigmund Freud Associação Psicanalítica




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