O OUTRO LADO DO OUTRO LADO - Por Fernando Veríssimo

Tudo tem o seu outro lado. O sério tem o seu lado cômico, o cômico tem o seu lado sério. A procura constante pelo outro lado é uma característica de duas atividades: uma muito antiga, o humor, que começou com Adão e Eva e as primeiras piadas de casal (como a que, dizem, era a favorita do Freud, mulher para homem: “Querido, se um de nós morrer antes do outro eu juro que não me caso de novo”); e a outra, mais recente, a psicanálise.

O humor vê o outro lado da trágica condição humana — está certo, a gente morre sem entender o sentido da vida, mas não faz mal porque ninguém vai nos testar depois —, e a psicanálise não se contenta com o aparente e vai atrás do suprimido, do sublimado, do somatizado, enfim, do lado verdadeiro. Humor e psicanálise também se parecem no repertório das fraquezas humanas com que lidam: fobias, simulações, auto engodos, síndromes, complexos, ressentimentos com a mãe e outras coisas seriíssimas e/ou divertidíssimas. Tratam ambos, enfim, do outro lado. Agora, quando psicanalistas escrevem sobre o humor, estão indo atrás do outro lado do outro lado. O lado sério do lado cômico do lado sério. O que pode ser cômico. Ou, por outro lado... chega. Leia o Livro.

Seria trágico... se não fosse cômico

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